A Polícia Civil de Alagoas prendeu o homem apontado como líder de um esquema criminoso de fraudes em financiamentos de motocicletas que teria provocado o desvio de mais de 31 veículos. A operação foi deflagrada para desarticular o grupo, que atuava em pelo menos três concessionárias de Maceió. A prisão foi confirmada pelo delegado Vladinei José nesta terça-feira (25).
Segundo as investigações, a quadrilha utilizava CPFs de terceiros para conseguir a aprovação dos financiamentos. Em alguns casos, até cinco motocicletas eram retiradas utilizando o mesmo CPF. Para viabilizar as fraudes, os criminosos teriam falsificado comprovantes de residência e documentos que simulavam rendimentos, como relatórios de pró-labore.
O esquema envolvia a cooptação de pessoas jovens, com o chamado “nome limpo” no mercado e, em alguns casos, sem comprovação de renda. Após a aprovação do crédito, o líder do grupo comparecia às concessionárias para retirar as motocicletas e, posteriormente, repassá-las a um comparsa em Arapiraca, responsável por revender os veículos na região do Agreste alagoano.
Durante as investigações, a Polícia Civil também identificou possíveis falhas nos protocolos de segurança adotados pelas concessionárias. De acordo com o delegado Vladinei José, algumas motocicletas teriam sido entregues a terceiros, quando deveriam ser liberadas somente aos titulares. A polícia informou que pessoas ligadas às entregas ainda serão ouvidas e poderão ser responsabilizadas caso seja comprovada participação no esquema.
A Polícia Civil alertou ainda que os titulares dos documentos utilizados nas fraudes podem responder criminalmente, dependendo do grau de envolvimento. Parte dessas pessoas teria cedido os dados de forma consciente em troca de dinheiro ou comissão para indicar novos nomes, enquanto outras afirmam que tiveram os documentos utilizados sem autorização. As fraudes também provocaram a negativação dos nomes das vítimas e prejuízos às instituições financeiras.
Após a prisão, o suspeito foi encaminhado à Central de Flagrantes de Maceió, onde passou por exames no Instituto Médico Legal (IML), e permanece à disposição da Justiça para a audiência de custódia. As investigações continuam, e a Polícia Civil trabalha para localizar o segundo principal integrante do grupo e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
