A situação do Centro Histórico de Piranhas tem provocado indignação e levantado questionamentos sobre a forma como a preservação do patrimônio vem sendo conduzida. Relatos de moradores e observadores apontam para uma possível aplicação de critérios distintos na aprovação de obras dentro da área protegida, onde pequenas reformas e construções de moradores tradicionais enfrentariam entraves e paralisações, enquanto projetos de maior porte e impacto visual aparentam avançar com mais facilidade. O contraste nesse tratamento tem alimentado dúvidas sobre a existência de isonomia nos processos de análise.

Moradores ribeirinhos denunciam dois pesos e duas medidas na aprovação de obras e cobram transparência na preservação do patrimônio
No centro da discussão estão as famílias ribeirinhas, que relatam dificuldades significativas para reformar ou regularizar seus imóveis. Diante das restrições, algumas acabam optando pela venda das propriedades por valores abaixo do esperado. O cenário desperta ainda mais questionamentos quando, após a transferência dos imóveis para novos proprietários com maior capacidade de investimento, intervenções semelhantes parecem obter aprovação. Para os moradores, essa dinâmica levanta a percepção de que a preservação do patrimônio pode estar se afastando da proteção da história viva da cidade, impactando diretamente quem construiu sua identidade cultural.
Outro ponto que chama atenção é a percepção de morosidade desigual em determinados processos. Casos envolvendo construções de maior impacto visual permanecem longos períodos sem definição, enquanto solicitações menores encontram respostas negativas em prazos mais curtos. A inexistência ou demora na formalização de instrumentos como o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), aliada à falta de esclarecimentos públicos sobre arquivamentos e pareceres técnicos, reforça a necessidade de maior transparência. Diante disso, cresce o pedido por critérios claros, acesso às informações e explicações institucionais, mantendo no ar a reflexão que ecoa entre os moradores: Piranhas é um patrimônio de todos ou acaba atendendo a interesses específicos?
📝 Texto por Da Silva | @reporterdasilva




















































































