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TENENTE-CORONEL PRESO POR MORTE DA ESPOSA PM VAI PARA A RESERVA E SEGUE RECEBENDO SALÁRIO

Oficial preso por suspeita de feminicídio segue recebendo remuneração enquanto enfrenta processo que pode levá-lo à perda do cargo e prisão em unidade comum

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso há duas semanas sob suspeita de feminicídio e fraude processual, foi oficialmente transferido para a reserva da Polícia Militar de São Paulo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (2) e ocorreu a pedido do próprio oficial. Mesmo fora da ativa, ele continuará recebendo salário e gratificações, com valores proporcionais, conforme critérios estabelecidos.

De acordo com dados do Portal da Transparência do governo estadual, o último vencimento do tenente-coronel, referente ao mês de fevereiro, foi de R$ 28,9 mil brutos e cerca de R$ 15 mil líquidos. Paralelamente, a Secretaria de Segurança Pública informou que segue em andamento o Conselho de Justificação, processo administrativo que pode resultar na expulsão do oficial da corporação, além da perda do posto e da patente. Caso isso ocorra, ele também poderá deixar o presídio militar e ser transferido para uma unidade prisional comum.

O caso envolve a morte da soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos, esposa de Neto, ocorrida em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no bairro do Brás, em São Paulo. Inicialmente, o tenente-coronel alegou que a vítima teria cometido suicídio, mas inconsistências na cena, como manchas de sangue, marcas de agressão confirmadas após exumação do corpo e contradições em seu depoimento, levaram a Justiça a decretar sua prisão. A perícia aponta que ele teria efetuado o disparo, alterado a posição do corpo e tentado simular o suicídio. A defesa do oficial, por sua vez, contesta a legalidade da prisão e denuncia exposição indevida de sua imagem, enquanto o inquérito segue em fase final e será encaminhado ao Judiciário.