ABSURDO

IMPEDIDA DE IR AO BANHEIRO, FUNCIONÁRIA URINA NAS CALÇAS E SUPERMERCADO É CONDENADO A INDENIZAR TRABALHADORA

Justiça do Trabalho manteve condenação de R$ 10 mil por danos morais após ex-operadora de caixa relatar constrangimento e humilhação durante o expediente.

A Justiça do Trabalho manteve a condenação do Novo Atacarejo ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais a uma ex-operadora de caixa que afirmou ter sido impedida de usar o banheiro durante o expediente. O caso ocorreu em uma unidade da rede em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, e ganhou repercussão após a trabalhadora relatar que urinou nas próprias roupas enquanto aguardava autorização para deixar o caixa.

Segundo a ação trabalhista, a funcionária, de 31 anos, precisava esperar que um supervisor assumisse o posto antes de se ausentar. Após cerca de 40 minutos aguardando a liberação e sem conseguir conter a necessidade fisiológica, ela acabou urinando nas calças. O episódio, de acordo com o processo, marcou o início de uma série de constrangimentos dentro do ambiente de trabalho.

Ainda conforme os autos, a ex-funcionária passou a ser alvo de apelidos ofensivos, como “Maria Mijona”, além de comentários depreciativos por parte de colegas. A defesa também alegou que ela já enfrentava crises de ansiedade, sofria perseguições no ambiente profissional e, mesmo após o ocorrido, foi orientada apenas a se limpar e retornar ao trabalho, sem receber assistência ou um uniforme limpo.

A primeira decisão favorável à trabalhadora foi proferida em abril deste ano. Inconformado, o Novo Atacarejo recorreu da sentença, mas a segunda instância da Justiça do Trabalho manteve a condenação, entendendo que houve violação à dignidade da funcionária e que os fatos configuraram danos morais passíveis de indenização.

Em nota, o Novo Atacarejo afirmou que não admite práticas de abuso, constrangimento, discriminação, violência ou assédio no ambiente de trabalho. A empresa informou que possui procedimentos internos para conciliar o atendimento aos clientes com as necessidades dos colaboradores, classificou o episódio como incompatível com suas políticas internas e declarou que respeita a decisão judicial, embora tenha informado que pretende recorrer pelos meios legais por entender que a sentença não retrata integralmente o contexto discutido no processo.